Como cinco amigos criaram um dos maiores grupos de hospitalidade do Brasil

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A Gênese da Cia. Tradicional de Comércio

A história da Cia. Tradicional de Comércio remonta a três décadas e é marcada por um questionamento fundamental: por que alguns bares permanecem repletos ao longo das gerações enquanto outros fecham suas portas rapidamente? A busca por essa resposta não se deu em ambientes corporativos, mas sim em barzinhos de São Paulo, onde cinco amigos se reuniam frequentemente.

A Importância da Pesquisa de Campo

Esses amigos — Edgard Bueno da Costa, Ricardo Garrido, Sérgio Bueno de Camargo, Mario Gorski e Fernando Grinberg — passaram meses analisando o comportamento de clientes e garçons em diversos estabelecimentos. Eles queriam descobrir o segredo por trás da transformação de um bar em uma instituição que faz parte da memória afetiva de uma cidade.

Observações nos Bares de São Paulo

O que começou como um experimento social resultou em uma profunda pesquisa sobre os elementos que tornam um bar especial. Durante suas visitas a pontos icônicos, como o Léo, Frangó e Elídio, observavam como o serviço personalizado, o conhecimento do nome dos clientes e a interação entre as pessoas criavam uma atmosfera única. Passaram a perceber que a verdadeira hospitalidade vai além do que é servido; ela envolve o sentimento de pertencimento.

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Hospitalidade: O Verdadeiro Negócio

Com o amadurecimento desse conceito, a Cia. Tradicional de Comércio emergiu como um dos maiores grupos de hospitalidade do Brasil, englobando 52 operações entre restaurantes e bares. A filosofia da empresa não é apenas oferecer boa comida, mas proporcionar experiências que façam os clientes se sentirem esperados e reconhecidos.

O ‘Livrinho Vermelho’ e Seus Princípios

Antes mesmo de abrir o seu primeiro estabelecimento, os sócios redigiram um documento informal, chamado “Livrinho Vermelho”, onde discutiam suas intenções e ideais sobre cultura organizacional e atendimento. Este manifesto estabelecia que a hospitalidade envolve criar laços emocionais com os clientes, um princípio que orienta todas as marcas da Cia.

Abertura do Primeiro Restaurante: O Original

O primeiro bar aberto, chamado Original, visava resgatar tradições esquecidas, em um período em que a gastronomia paulista passava por um processo de internacionalização. A intenção era oferecer uma experiência que caprichasse nos detalhes do chope e nos petiscos clássicos, ao mesmo tempo que estabelecia uma conexão com o cliente que retornava.

O Treinamento das Equipes de Atendimento

Seus 1.400 colaboradores são treinados não apenas para servir, mas para reconhecer e entender as necessidades dos clientes. A hospitalidade nessa empresa é vista como uma atitude natural, que se reflete nos pequenos gestos, como lembrar o pedido do cliente ou oferecer um tempo a mais para a escolha do prato.

Reinterpretação dos Costumes Gastronômicos

A cada novo restaurante, a estratégia sempre começa com uma pergunta: que hábito cultural pode ser reinterpretado? Ao invés de simplesmente abrir novas unidades do Original, os sócios buscaram histórias ricas e significativas que pudessem ser traduzidas em experiências gastronômicas, como foi o caso do Pirajá, que traz o conceito do botequim carioca para São Paulo.

O Crescimento e a Expansão do Grupo

Com o sucesso do Original, outras marcas surgiram seguindo a mesma filosofia: Bráz Pizzaria reafirmando a tradição da pizza artesanal, Astor contribuindo para a cultura de coquetéis clássicos, e muitos outros, todos focados em criar ambientes onde as pessoas desejam permanecer e se conectar.

Construindo Memórias e Comunidades através da Comida

O impacto da Cia. Tradicional de Comércio vai além da abertura de restaurantes. Eles ajudaram a moldar o cenário gastronômico paulistano, influenciando a valorização de bares tradicionais e resgatando a memória afetiva e coletiva da cidade. A empresa não apenas serve comida, mas busca construir comunidades e memórias através das experiências que proporciona.