
A Novo Nordisk planeja ter ao menos cinco novos medicamentos para obesidade e diabetes até 2030, segundo informações da Dow Jones Newswires. A farmacêutica também pretende ampliar sua atuação para outras áreas terapêuticas.
O plano foi apresentado em um evento com investidores em Londres em 21 de setembro de 2026. O CEO Mike Doustdar afirmou que a companhia buscará novas frentes de crescimento além de diabetes e obesidade.
A estratégia vem após a fabricante do Ozempic perder participação no mercado de medicamentos contra obesidade para a Eli Lilly. Seus comprimidos para perda de peso, lançados recentemente, tiveram boa aceitação inicial.

A empresa também enfrenta a entrada de genéricos de semaglutida em mercados como Brasil, Canadá, Índia e Turquia. A previsão mais recente aponta possibilidade de queda nas vendas ajustadas em 2026, enquanto a companhia revê sua estrutura e busca ampliar o portfólio.
Pipeline prevê medicamentos para obesidade, diabetes e outras áreas
Além do portfólio destinado a obesidade e diabetes, a Novo Nordisk pretende desenvolver ao menos cinco novos medicamentos com potencial de vendas bilionárias, descritos pela empresa como “multiblockbusters”. A companhia relaciona essa meta ao crescimento futuro de seu pipeline.
Entre as áreas que a farmacêutica quer explorar estão distúrbios do sangue e endócrinos, doenças do fígado e doenças cardiovasculares. O CEO Mike Doustdar afirmou que a empresa buscará essas frentes para diversificar suas atividades terapêuticas.
A Novo Nordisk projeta mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas — US$ 23,05 bilhões — em vendas de produtos do pipeline em 2035. Em 2025, a receita total da companhia foi de 309,06 bilhões de coroas dinamarquesas.
Concorrência, genéricos e reestruturação pressionam a Novo Nordisk
A semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, perdeu exclusividade no Brasil, no Canadá, na Índia e na Turquia em 2026, abrindo espaço para versões genéricas de preço mais baixo. Na Europa e nos Estados Unidos, a exclusividade está prevista para durar até o início da década de 2030; Mike Doustdar disse que a empresa vai competir por volumes nos mercados dos dois grupos.
Nos Estados Unidos, preços menores após um acordo com o governo de Donald Trump para reduzir o custo de medicamentos contra obesidade também pressionam as vendas. A projeção mais recente da Novo Nordisk prevê uma possível queda de até 6% nas vendas ajustadas de 2026, considerando taxas de câmbio constantes.
Outros resultados de desenvolvimento frustraram investidores: um teste de um medicamento cardiovascular experimental não demonstrou a redução esperada no risco de infarto ou acidente vascular cerebral. Analistas também avaliaram que o CagriSema, candidato para obesidade e diabetes, teve efeito inferior ao da tirzepatida, da Eli Lilly, na redução da glicose no sangue.
Como parte de uma reestruturação, a companhia anunciou o corte de 9 mil empregos, após mudanças no conselho e uma rodada inicial de aquisições. Doustdar afirmou que a empresa continuará avaliando ativos e tecnologias complementares, mas descartou grandes aquisições transformacionais; em 2026, a marca Novo passou a ser usada para se aproximar dos consumidores, enquanto Novo Nordisk permanece como nome legal global.
