
Expectativa de vida e desigualdade social
No Brasil, a discrepância na expectativa de vida entre residentes de áreas nobres e periféricas é alarmante, podendo alcançar até oito anos. Essa realidade está intimamente ligada a marcadores sociais como renda e raça, o que reforça as desigualdades que afetam o envelhecimento da população. O painel do 8º Fórum e Festival da Longevidade destacou como esses fatores influenciam diretamente a qualidade de vida dos idosos.
Acesso a saneamento básico e saúde
Conforme dados apresentados, cerca de 69% da população negra e parda não possui acesso a saneamento básico, grupo que representa aproximadamente 56% da população total do país. Esse cenário de exclusão é ainda mais evidenciado em comunidades como Heliópolis, onde o atendimento médico é majoritariamente buscado por mulheres negras em situação de vulnerabilidade. Essa realidade reforça a intersecção entre renda e raça, onde a falta de infraestrutura básica contribui para o adoecimento precoce da população idosa.
O papel das cuidadoras na sociedade
O setor de cuidados é predominantemente composto por mulheres negras de baixa renda, que, enquanto dedicam tempo a cuidar de outras famílias, veem a própria qualidade de vida e seu envelhecimento afetados. A falta de valorização e reconhecimento dessa profissão é evidente, e o questionamento “E se as cuidadoras fossem brancas?” traz à tona a naturalização da exploração enfrentada por essas mulheres. Essas cuidadoras carecem de apoio governamental, formação adequada e remuneração justa, o que resulta em desafios físicos e mentais significativos.

Propostas para uma política integrada
Os gestores públicos presentes no painel enfatizaram a importância de ações integradas que conectem políticas em nível nacional e municipal. Para que políticas de envelhecimento sejam eficazes, é necessário um alinhamento que abranja as questões de renda e raça, favorecendo a inclusão e a melhoria das condições de vida das populações vulneráveis. A ideia central é que, por meio de um esforço coletivo, se possa transformar a realidade das pessoas idosas no Brasil, promovendo um envelhecimento mais digno e saudável.
